O ecossistema de risco evoluiu. Modelos de crédito, antifraude e análise de perfil já incorporam variáveis comportamentais, financeiras e transacionais. Porém, muitos ainda ignoram uma dimensão altamente preditiva: eventos jurídicos estruturados como dado analítico.
Se você trabalha com modelagem estatística, machine learning ou engenharia de dados, a pergunta a se fazer é “qual o custo de não usar dados jurídicos?“
O que são ocorrências jurídicas sob a ótica de dados?
Ocorrências jurídicas sob a ótica de dados são qualquer evento formal de cunho jurídico registrado em bases públicas ou privadas, como: ajuizamento de ação, execução fiscal, recuperação judicial, envolvimento em ações por fraude, entre outros. Na prática, uma ocorrência jurídica não se resume apenas a “processo judicial”.
Por que ignorar ocorrências jurídicas distorce modelos de risco
Ignorar ocorrências jurídicas distorce modelos de risco porque descarta uma variável importante, que pode apontar, por exemplo, para comportamento litigioso, inadimplência judicializada e padrões de contencioso recorrente.
Modelos tradicionais de risco usam variáveis primárias. Score de crédito, histórico bancária e renda são alguns tipos, contudo, se o negócio realiza a análise de perfis e de risco apenas com esses dados e ignora as ocorrências jurídicas, deixa lacunas preditivas que podem impactar na eficácia da avaliação.
Dados jurídicos como variável complementar na concessão de crédito
Vamos imaginar um cenário no qual há dois perfis com score financeiro semelhantes, um deles sem histórico judicial e outro com execuções fiscais nos últimos anos, e a análise não considera o fator jurídico envolvido – ou simplesmente não tem acesso à informação – pode resultar no equívoco de classificá-los como risco semelhante, uma distorção da realidade.
Ocorrências jurídicas funcionam como variáveis que apontam insegurança financeira indireta. Se uma empresa aparentemente saudável financeiramente tem nos ‘bastidores’ um crescimento de ações trabalhistas e execuções fiscais recentes, pode-se inferir pode o risco de crédito subestimado. Dessa forma, é possível perceber como o dado jurídico se torna uma camada complementar de segurança para concessão de crédito.
Ocorrências jurídicas para análise de perfil comportamental
Bancos, Fintechs e outras instituições bancárias precisam diariamente analisar o perfil de milhões de pessoas para fins diversos. Nesse sentido, é importante incorporar que um perfil de risco não é apenas financeiro, mas também comportamental. É aí que entra o fator jurídico como variável de risco.
Pessoas físicas ou jurídicas com alto volume de ações como réu, que têm frequência em disputas contratuais e histórico recorrentes em Juizados Especiais, por exemplo, podem apontar maior probabilidade de inadimplência, tendência a judicializar conflitos e ter um custo operacional mais elevado considerando o ciclo de vida do cliente.
Ter acesso a esse tipo de dado, assegura mais ponderação estatística, que quando aplicada em volume, tende a gerar menos prejuízos e melhores investimentos.
Ocorrências jurídicas como camada antifraude
Sistemas antifraudes necessitam ser constantemente atualizados, pois as tentativas de corrompê-los se tornam cada vez mais sofisticadas e complexas de serem rastreadas. Fraudes raramente surgem isoladas ela deixe rastros e pede análises que saibam conectar informações com eficiência.
Assim, agregar ocorrências jurídicas ao pipeline de risco e proteção antifraude funciona como uma camada adicional de segurança. Com essas informações, é possível captar outros sinais que pode servir com um alerta.
Alguns exemplos que podem servir como inferência para risco de potencial fraude:
- Empresas recém-criadas com múltiplas ações em curto período
- Sócios com histórico de empresas encerradas judicialmente
- Pessoa Física tentando se passar por alguém que já faleceu
Como integrar dados jurídicos no pipeline de risco
Adotar o dado jurídico como variável preditiva passa por operacionalizar de forma estruturada. Para tanto, é preciso agregar as informações a APIs ou bases consolidadas do sistema existente, garantir a correspondência correta entre CPF/CNPJ e processo, temporalizar o risco considerando o período da ocorrência jurídica e monitorar a dinâmica histórica conforme nos eventos acontecem. No universo financeiro, por exemplo, essa dinâmica pode ser vista ao acompanhar o impacto no score do perfil.
Risco jurídico como variável preditiva estratégica
Os dados jurídicos elevam a capacidade preditiva e reduz a exposição a eventos críticos que geralmente não são capturados por dados financeiros ou sociais tradicionais. Eles ajudam desde a análise para a concessão de crédito à prevenção de corrupção, antifraude outros tipos de crime.
Na prática, os dados também ajudam estruturar clusters com mais eficiência, permitindo traçar perfis de acordo com a sua automação de análise:
- Perfil operacional estável
- Perfil litigioso moderado
- Perfil judicial crítico
Além disso, o conhecimento sobre ocorrências jurídicas traz mais segurança, pois dados dessa natureza carregam características que se diferem e se destacam dos outros tipos, pois eles são públicos e auditáveis, com lastro formal, além de representarem um conflito materializado de uma manifestação de risco.
Eventos jurídicos devem integrar o pipeline de risco porque oferecem sinais relevantes sobre a situação financeira, comportamental e até reputacional de pessoas físicas ou jurídicas. A depender do tipo de ação judicial e da posição ocupada no processo (polo ativo ou passivo), esses eventos podem indicar diferentes cenários de risco ou oportunidade.
Elenice Rebolla – Gerente de Produtos e Dados na Kurier
Aplicações de dados jurídicos em diversos segmentos
A adoção de dados jurídicos tem vários benefícios para segmentos fora da esfera jurídica, como o financeiro no caso de Bancos, Fintechs e Seguradoras, e no Varejo, a exemplo de Marketplaces. Confira algumas aplicações possíveis e que fazem a diferença na estratégia do negócio:
Comprometimento Financeiro (Birôs e Financeiro): conhecer se alguém está comprometido financeiramente para além do que se sabe no âmbito em questão.
Análise Reputacional (Financeiro e TechRisk): entender mais soube a reputação civil e criminal de alguém para diminuição de risco e fraudes
Enriquecimento de Dados (Consultorias, Plataformas de Compliance): fortificar informações conclusivas sobre cenários, pessoas e situações.
Incorporando ocorrências jurídicas no pipeline
Para se resguardarem, empresas se esforçam cada vez mais nas análises de perfis, seja para evitar perdas financeiras, combater antifraude ou prevenir corrupção. E para isso vêm ampliando sua capacidade estatística com a adoção de recursos complementares.
Entre eles, os dados jurídicos vêm se destacando ao mostrando uma variável preditiva muito forte para: analisar o comportamento financeiro real de quem busca um empréstimo ou financiamento, preencher lacunas relevantes de risco de potenciais inadimplentes, enriquecer as automações de concessões com informações jurídicas que apontam diretamente para sinais vermelhos, evitar que o negócio conceda crédito para perfis com histórico judicial crítico, entre outros.
Eventos jurídicos enriquecem o pipeline de risco ao adicionar uma camada adicional de informação que amplia a capacidade analítica das empresas, permitindo avaliações mais completas, decisões mais informadas e uma gestão de risco mais eficiente.
Elenice Rebolla – Gerente de Produtos e Dados na Kurier
Apoiamos grandes empresas a elevarem seus resultados com inteligência de dados há mais de 20 anos, e podemos mostrar a você como elas estão incorporando dados jurídicos para elevarem sua capacidade de análise – e sem perder a fluidez operacional.
Quer saber como? Compartilhe o seu cenário com o nosso consultor e descubra agora.

Confira outros conteúdos do Blog Kurier que podem lhe interessar:
Como a tecnologia aumenta a eficiência de monitoramento das reclamações do Procon
Procon: como as reclamações administrativas impactam o contencioso judicial
Reforma Tributária: principais mudanças e como se preparar


